lundi, novembre 15

Beijo-te os lábios de nicotina

Crida: Quero beijar os lábios de nicotina.
Deixou de me incomodar lamber cinzeiros...

Crido: Confessa que até gostas!

Crida: Dei-te o meu corpo, entreguei-me e nem me apercebi disso... Logo, o que é um pouco de cancro nos pulmões?

Crido: Credo! Que fatalista!

Crida: Sim... Sou muito fatalista...gosto de drama
Hahahahaha!! Gosto de drama, de lágrimas, de gritos no meio da sala, enquanto te atiro uma jarra de flores que quase te acerta mas que acaba por se partir na parede...

Crido: E um belo desmaio...

Crida: Por fim, ponho a mão amolecida na testa, olho para cima, faço "ah" e caio redonda no chão, com as pernas a dobrar-se para um lado...

Crido: E eu agarro nas flores e devolvo-tas com um beijo...

Crida: ... e eu acordo e digo "meu amor, vieste!"

Crido: Acorda, minha bela adormecida...

Ela levanta-se e olha-se ao espelho e desata aos gritos, histérica "que horror, que horror!"

Crida: Tou com aspecto de 50 anos!

Crido: Mas querida... tu tens 50 anos! Dormiste 34 anos... 34 profundos anos.

Crida: O meu cabelo... as minhas mãos.... NÃO!!!! NÃO PODE SER!!!
Ela sacode-o e implora-lhe

Crida: Diz-me que não é verdade!... E tu, que fizeste todos estes anos? Esperaste por mim?

Crido: Sim e estive sempre perto de ti... Abdiquei da minha carreira por ti e agora estou na miséria...

Crida: Abdicaste da tua carreira para estares perto de mim? uer dizer que já não és rico? Quer dizer que já não me vais poder aquele vestido da Donna Karen que eu tanto gosto? E o descapotável?

Crido: Sim... Por favor, diz que não me abandonas!

Crida: Nunca te abandonarei, meu... meu... pelintra querido!

Crido: O vestido está no teu guarda-fatos. O descapotável teve que ir.

Crida: Já não me serve, estou velha e cheia de peles...Pareço a Vivienne Westwood! Oh, não!!!!!!!!

Ele abraça-a ternamente.

Crida: O Jeremias?

Crido: O Gê dormiu sempre contigo até que se despediu... Só saía para ir ter com a sua amiga Virginia Kitten. Foram muito amigos e tornaram-se amantes secretos...

Crida: Oh! Vida cruel! Ao menos foi feliz? Teve gatas?
E tu, casaste? Tiveste filhos?

Crido: Nunca!!! Vivi para ti...

Crida: Juras, meu amor? Meu único e grande amor!!

Ele abraça-a novamente. "Sim..."

Crido: Comprei-te aquela botas bordeux da Camper que querias ...

Crida: Oh, compraste? Oh, será que ainda estão na moda? Será que ficam bem nestes meus tornozelos frágeis?
Vamos casar, meu amor! os 50 anos, casemos!

Crido: Está bem, mas aos 80 caso outra vez.

Crida: Com a tua ex... E deixas-me?

Crido: Claro que sim, querida...

Crida: "Claro que sim"... Deixas-me ou as botas ficam-me bem?

Crido: Logo se vê...

Crida: Não quero ser a tua amante secreta... Não aos 80!

Crido: Claro que te ficam bem!

Crida: Se tenho que ser amante, que seja agora que ainda sou nova, vigorosa!... uando ainda tenho sangue na guelra. Agora, que os homens ainda me querem e os mais novos ainda me desejam mais!

Crido: Ora bem... Casemos então...

Crida: Oh, esqueço-me que já não tenho 26 anos!... E seria ela a amante? NUNCA!!!! Recuso-me a qualquer das situações! Ainda por cima, já não tens dinheiro e o museu de Arte Antiga fechou por falta de apoio...

Crido: Temos trinta anos de felicidade

Crida: E depois, o que será de mim? O que será de ti?

Crido: Temos 26 anos de felicidade, querida!

Crida: Pois, tu tens 54... mas eu tenho 50. São 26 anos de felicidade contando com a tua idade ou com a minha?

Crido: Querida, então eu abandono a minha pronmessa por ti...

Crida: OH!!!!!

Crida: Mas só por ti...

Ela chora e desmaia.

Crido: Pronto, filha, então?
Estava a delirar...Estás linda, glamourosíssima...

Crida: Eu sei...

Crido: Mas tens de te despachar, ou não há casório...

Crida: Posso ter estado adormecida, mas não deixei de ser bela... E tu, que grandes abdominais!

Crido: Queres, não queres?

Crida: Casar com os teus abdominais? Quero! Estou a brincar! Aos 50 casemos, então. Tens é que ter os abdominais todos definidos. Tu, todo nu e com as botas da Camper calçadas... Que sexy! E eu, vestida de Roberto Cavalli e sapatos Manolo Blanik.

Crido: Posso levar uns boxers da Versace?...

Crida: ...Claro!Para eu tos despir selvaticamente...

Crido: ... todos em preto e branco com a cabecinha da medusa...

Crida: SIM!!

Ela senta-se no sofá vermelho e lê o jornal.

"LONDON, England (Reuters) -- A cleaner at London's Tate Britain modern art gallery threw out a bag of garbage which formed part of an artwork because it was thought to be trash, British newspapers reported on Friday. The transparent bag of garbage -- full of newspaper, cardboard and other bits of paper -- formed part of a work by German-born artist Gustav Metzger called "Recreation Of First Public Demonstration Of Auto-Destructive Art." It was on display next to a sheet of nylon that had been spattered with acid, and a metal sculpture on a table when a cleaner tossed it out with the other trash.
A Tate spokesman said the mistake was made the day before the exhibition opened at the end of June, and although the bag was later rescued, it had been damaged and Metzger had to replace it with another one. The newspapers said the spokesman would not reveal how much the bag had cost to replace." It's now covered over at night so it can't be removed," the spokesman told the Times."

Crida: Já viu, querido? Acabo de acordar e deparo-me com notícias destas!

Crido: Fantástico!

Crida: Sim, é fantástico... Mas não mais do que tu, amor!

Pestaneja os olhos várias vezes, muito rápido e de expressão dengosa.

Crido: Oh, querida!

Crida: Posso oferecer-te uma prenda? Por todos estes anos que me foste devoto?
Uma chávena de chá: para que, juntos, conversemos sobre as mudanças do mundo na minha ausência. Estou curiosíssima. Quero saber tudo!

Crido: Sim , claro...Le Thé des Poetes Solitaires...

Crida: Mais oui,mon chér

Crido: Da Marriage, se faz favor...

Crida: Marriage? Você é de ideias fixas!
Evasões:
"Hei, Nostradamus!" Douglas Coupland
"Morte aos Feios" Boris Vian
Yann Tiersen & Shannon Wright
"Haunted" Complicado









mardi, octobre 19

Uma sala.
Paredes branco sujo. Muitos recortes espalhados pela mesma.
Um gato pousado numa secretária de madeira clara.
Chove lá fora.
Ela sentada à secretária, a escrevinhar furiosamente.
Tem os olhos inchados e treme ligeiramente. Esteve a chorar.
"Por que te choram as mãos? Não tens o direito de chorar.
Não tens o direito de gelar, quando te sentes cansada. De estagnar, de gritar, de partir tudo em fúria. Atirar livros ao ar. Colunas contra a parede. Não tens o direito.
Por que te gelam os membros? Não tens o direito de te sentir assim..
Não tens.
A tua vida toda permitiste o que os outros queriam que permitisses: que te partissem, que te quebrassem aos poucos, bocadinhos pequeninos, rasgados como um bilhete de autocarro para dentro de um contentor verde. Ou espalhados no chão, para apanharem chuva e lama, enquanto és espezinhada por todas as pessoas que passam por ti até ires, finalmente, parar a um contentor verde, mas maior, o contentor da sucata, o lixo perdido num desterro.
Farias parte do desterro de livre vontade, ou são apenas truques para me comoveres?
Acreditas que quase consegui acreditar em ti? Acreditar nos teus truques de mulher que sofre, porque foi despejada num contentor do lixo verde, em direcção a um contentor muito maior, num desterro? Acreditas? Pois eu recuso-me a acreditar que, de facto, acreditei que acreditavas numa barbaridade dessas."

Ela levanta-se, pega no gato que, entretanto, está a dormir em cima de um caderno, na secretária, e pousa-o suavemente no chão. Encosta-se à janela e observa uma bóina vermelha pendurada no estendal, sacudida pelo vento.
Ela - Ploc ploc ploc ploc... (imita o barulho da chuva) Já viste como chove sem parar? Era capaz de ficar horas aqui a olhar para esta bóina e, com um leve acesso de malvadez, ver até quando ela se aguenta até sair disparada pelo ar. Achas que se solta?
Ela Outra - Não sei. Tu achas?
Ela - Não sei, pergunta-lhe. "Ó bóina estúpida, tu soltas-te, se eu te deixar ficar aí mais tempo?"
Espera um pouco, abre a porta da varanda e tira-a do estendal.
Ela - Pronto, vens cá para dentro. Se desatasses aí a voar, ainda me acusavam de ser idiota, deixar voar o meu gorro preferido.
Uma bóina vermelha comprada nas galerias Lafayete, juntamente com o novo Murmure da Van Cleef & Arpels. E depois? Perderia toda a minha dose de pedantismo.
Ela - Acreditas que tudo isto possa fazer parte de um jogo? O ironizar com tudo. Com as pessoas. Comigo mesma.
Não consigo conceber que isto não faça parte de um jogo para matar a doçura que há em mim.
Ela Outra - Francamente, eu acho é que és parva! Mas por que és tu tão autodestrutiva?
Ela (ar enjoado) - Poupa-me!

Ela Outra - Apenas acho que mereces um mundo melhor, só isso. E gozares contigo própria não te ajudar a encontrar esse mundo melhor. Muito menos a paz de espírito que taaaanto almejas.
Ela - Um mundo melhor? Qual? Um mundo onde os jogos não existam e morramos todos de tédio, ou um mundo onde nos compreendam realmente, mas de forma silenciosa, em que não haja aquela urgência irritante em fazer perguntas, em pegar-nos ao colo para nos proteger?

Ela Outra - Um mundo onde nos protejam. Por que te recusas a isso? Por que lidas tão mal com quem te tenta proteger?

Ela - Eu não lido mal com isso. Preciso de protecção, tal como toda a gente. Só não consigo lidar com o facto de ninguém me ter perguntado qual o tipo de protecção mais conveniente para mim. Qual a melhor forma de me proteger. Sem me massacrarem com perguntas, sem pressões.. Estou tão farta de agressões verbais!

Ela Outra - Cabe-te mostrar o que é melhor para ti.

Ela - E deixar tudo nas minhas mãos? Mas em que raio de mundo vives tu? Mas que raio de ingenuidade estúpida é essa agora? Acreditas mesmo no que estás praí a dizer? Como raio sei eu quem me merece, se lhes der a papinha toda? Não. Se eu me dou ao trabalho de tentar compreender o que é melhor para os outros, quero que o façam também por mim. Exijo-o, porque dou tudo pelos outros. Exijo que me dêm o mesmo.

Ela Outra - Não podemos esperar isso dos outros. É demasiado utópico e egoísta. Devemos dar porque gostamos de dar, sem esperar uma recompensa da outra parte.
Ela - Sabes que eu também pensava assim? E durante anos, foi essa a minha conduta. E sabes o que é mais giro? É que cheguei à conclusão que não era feliz. Se eu consigo, eles também conseguem. Já lá vai tempo em que me contentava em dar prazer, em estar presente. Hoje em dia, parece que levei um estalo, uns quantos safanões e acordei. Quero receber tanto quanto dou, senão qual é o significado de tudo isto? Da minha existência? Quero sentir-me amada, porra!
Quero levar porrada e safanões todos os dias, se isso me ajudar a acordar.

Ela Outra - Não sei o que dizer...

Ela - Se não sabes o que dizer, por que raio insistes sempre em dizer algo?
Evasões:
"Ruinas" Sarah Kane

dimanche, octobre 17

prozac mind

She thought about suicide
when she was
21 years old
"ain´t no-one takes me home"
"i´m so tired!"
But everyone laughs...


you think I´m not there
I'm here
Inside my head
I got fun, I got booze I got a secret friend

And everyone laughs...

"It´s not the wine, i´m just a prozac mind"
"Come right now, i´m just a prozac mind"

Evasões:
"The Bell Jar" Sylvia Plath
"You Are Free" Cat Power




dimanche, septembre 26

a estranheza das coisas...


A estranheza das coisas...

Quero dançar contigo hoje e amanhã e sempre...
Quero poder abraçar-te sem receio e sentir aquele tremor nas minhas mãos...
E que a tua boca sinta as minhas lágrimas salgadas e quentes...
E que me ames como nunca amaste...
E que me libertes....
E que te libertes....
E que tudo seja perfeito...
E que eu sorria e tu também sorrias
E que tudo seja perfeito...
Para sempre!
Evasões:
"Dear Prudence" Siouxsie & the Banshees
"Oracle Night" Paul Auster

vendredi, septembre 10

trauma

É como se as mãos perdessem a força. Há os pulsos, que as comandam, e esses estão fracos. Não podem comandar as mãos. Estas acabam por se fechar. Assim. Aos poucos.As pernas têm-se movido bem, mas os joelhos estalam um bocadinho. É por estarem parados, talvez.A cabeça está absorta num blur irritante e começou recentemente a entrar em erupção. São mais que mil. Muitos. Mais que mil e um. Mais que mil e duzentos pensamentos por minuto, por segundo. Pensa num, tem que largar os outros. Esses outros, os restantes, sabe-se lá quanto tempo ficam a marinar. A fila de espera é enorme. Chega a ser absurdo. E depois há o caos. A resposta não resposta que responde porque tem que responder mas, no fundo, não queria dizer, porque não tem nada de especial para dizer no momento em que responde. Responde, simplesmente, porque tem que responder alguma coisa. Dizer por dizer. Por que não? Chega a ser absurdo...
Evasões:
"Trust" Low
"Breaking the Waves" Lars von Trier
"Glamorama" Brett Easton Ellis

jeudi, septembre 9

palavras II...

Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador

"Vigílias" Al Berto

Evasões:

"Stargazer" The Zephyrs


palavras...

Já não me te pertence esta boca
estes ecos formigueiros nas mãos
onde a linha da vida se cruza com a do coração

"Dois Rios" Ernesto Sampaio

Evasões:
"Stargazer" The Zephyrs

dimanche, septembre 5

Gostava de poder desmontar-te

Gostava de poder desmontar-te, para guardar pedacinhos teus em cada canto do meu quarto, em cada bolso, na mala!
Ter-te sempre comigo.
Bastaria um gesto, um certo estilo, um jeito para bricolage e montava-te novamente, com pedacinhos de corpo aleatoriamente montados e acrescentava-te detalhes. Com uma caneta redesenhava-te o nariz, porque o teu é bonito demais para ser permitido.
Gostava mesmo de poder desmontar-te, para montar o teu corpo de novo, pô-lo de pé, a andar novamente...
Evasões:
Tanya donnely "Whiskey Tango Ghosts"
Throwing Muses "Hunkpapa"
Boris Vian "Jazz in Paris"
Brett Easton Ellis "Glamorama"
Francis Ford Copolla "One fron the heart"

jeudi, août 12

Diz-se do suicídio...

Diz-se do suicídio que este é uma coisa covarde que os torturados alimentam. Talvez não seja o suicídio mais do que um estado de alma de alguém que está farto de viver neste mundo.
Ora, não tem o suicídio que ser um reflexo do nosso subconsciente malogrado. Eu atribuir-lhe-ia mais um significado algures pairante no cruzamento entre a loucura e a sanidade mental. Não é preciso ser-se são para compreender com nitidez o que vai na alma, o que atormenta, o que se quer afastar da memória? O simples facto de se viver na ânsia de encontrar um mundo melhor onde relaxar, seja na Terra ou no Infinito, não é, por si só, um sinal de que tem uma mente saudável? Não é aquele que procura a perfeição um génio? Compreendo que se torne paradoxal esta minha ligação, pois os génios sempre foram apelidados de loucos. Desde sempre se estabeleceu essa ligação, desde Salvador Dali a Van Gogh. Génios loucos. Mas e se nem todos os génios forem loucos? E se os génios não forem, de todo, loucos? Se forem menos loucos e mais seres exigentes que têm apenas a capacidade de expelir ideias que transformam o mundo em beleza transbordante?
“Uma sociedade com tara inventou a psiquiatria para se defender das investigações de certas lucidezes superiores com faculdades de adivinhação que a incomodavam” (Antonin Artaud)
Conforme é redutor atribuir o génio aos loucos, também não é correcto atribuir-se o suicídio às almas penadas deste mundo, aos infelizes a quem a sorte nunca há-de bater à porta. E se pensam em suicídio, não têm que estar tolinhos, mas apenas exaustos, saturados, gastos e querem partir para um mundo melhor.

Mas o suicídio não ter que ser uma morte física, pode ser um exílio da alma. Pode ser uma tentativa de fuga. A fuga sem fim para o paraíso. Mas Eça de Queirós não acreditou na perfeição, porque esta enjoa. Quer dizer que era o escritor um sábio e os crentes na perfeição patetas ingénuos? Estaria Eça enganado, quando desdenhou da sua ilha da perfeição? Ou a fuga não passa pela procura da perfeição? Ou a felicidade não passa por nada em especial?

Admitamos agora a possibilidade do suicídio enquanto morte física. Será esta umbiguista? Partimos e despedaçamos os que nos amam, deixando-os à deriva, desorientados. Ou, por outro lado, serão os que nos amam e que nos vêem partir egoístas que pensam mais na dor da sua perda do que na dor do que partiu? Camus pensava, em“A Queda”, no suicídio como uma vingança que visava, precisamente, destroçar de forma intencional os que nos rodeiam. Mas ao mesmo tempo, se nutrimos um sentimento ardiloso tão grande ao ponto de querermos atingir pessoas através do nossa morte, que espécie de relação existirá entre ambas as partes? E se esta é - como tal pensamento maldoso deixa antever - de indiferença, será que os visados serão, efectivamente, atingidos no coração pela dor de uma perda ?


Diz-se que o suicídio é uma coisa covarde que os torturados alimentam. Talvez não seja o suicídio mais do que um estado de alma de alguém que está farto de viver rodeado de hipocrisia, num mundo de eterna descrença na beleza de coisas efémeras que podiam ser concretas, se o indivíduo deixasse.

Evasões:

“Knife Play” Xiu Xiu
“Heaven”
“Histórias Escolhidas por um Psicopata" Edgar Allan Poe
“Van Gogh – o suicidado da sociedade” Antonin Artaud
“A Queda” Albert Camus

mercredi, août 11

Era só pedirem-me...

Era só pedirem-me para ir e eu iria
sem hesitar.
Hesitar faz mal à alma; enche-nos de dúvidas, porque as temos.
Por isso faz tão mal à alma. Ninguém quer ter dúvidas, admitir que não sabe
muito bem para onde quer ir.

Às vezes, é uma questão de tempo, até
descobrirmos que cor pinta a nossa vida. Até lá, de que cor é o buraco onde nos
escondemos?

"the sea is a long, long
way from me
I'd go there if I had the timebut lying here will do just
fine"

Evasões:

"Leviathan" Paul Auster
"You Can Count on Me" Kenneth Lonergan
"
"Among My Swan" Mazzy Star